Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) | ||
| Referência do anúncio: ECOTOX-2007/03 Aceitam-se candidaturas a uma proposta de doutoramento a submeter ao concurso de bolsas de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia subordinada ao tema "Molecular and sub-cellular effects induced by pollutants on sea bass: are these alterations ecologically relevant?". O candidato(a) seleccionado será inscrito como aluno(a) de doutoramento no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto e o trabalho de investigação será desenvolvido no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), no Laboratório de Ecotoxicologia, sob orientação do Doutor Carlos Gravato e da Prof. Doutora Lúcia Guilhermino. Resumo do trabalho: Standardized methods used in Ecotoxicology to assess the potential impact of chemical agents on aquatic ecosystems are based on whole-organism responses (mortality, growth, reproduction) of generally sensitive indicator species, and deriving ecotoxicological parameters such as the median lethal concentration (LC50), the lowest observed effect concentration. However, these methods provide only limited information regarding the mechanisms of chemical toxicity. This project aims to investigate the effects induced by polynuclear aromatic hydrocarbons and metals on juveniles of sea bass, using parameters at different levels of biological organization. Furthermore, it will establish relationships between sub-individual responses (biomarkers) and ecological relevant parameters (growth, feeding inhibition and swimming velocity). The biomarkers to be used will evaluate genotoxic effects, and alterations on parameters involved in detoxification processes, anti-oxidative stress responses, nervous function and energy production. Molecular genomics studies will be used to evaluate gene expression in sea bass, to identify valuable biomarkers or new biomarkers and to correlate the impact of pollutants on growth and fish behaviour with sub-individual effects. The results of this project will clearly link the disturbances induced by pollutants at the molecular level to the effects at the population level, helping to define the significance of biomarker responses in terms of ecological relevant effects. Therefore, the project will determine a wide array of valuable, simple, environmentally relevant and cost-effective techniques that might be used as helpful tools for ecological risk assessment. Os candidatos deverão possuir licenciatura em Biologia, Ciências do Meio aquático ou áreas afins, com média de licenciatura igual ou superior a 15 valores, caso possuam também o grau de Mestre, ou igual ou superior a 16 valores, caso o não possuam. As candidaturas* deverão incluir: - Curriculum vitae detalhado do(a) candidato(a); - Cópia de certidão de licenciatura e/ou mestrado; - 2 cartas de referência; - cópia de artigos científicos ou outras publicações consideradas relevantes. *Os candidatos poderão ser solicitados a participarem numa entrevista. As candidaturas devem ser enviadas ATÉ 20 de Agosto de 2007, preferencialmente por e-mail e mencionando a referência do anúncio, para: Doutor Carlos Gravato (gravatoc@ciimar.up.pt) CIIMAR/CIMAR-LA Laboratório de Ecotoxicologia Rua dos Bragas, 177 4050-123 Porto |
quarta-feira, 18 de julho de 2007
PROPOSTA DE DOUTORAMENTO - SELECÇÃO DE CANDIDATOS A UMA BOLSA DA FCT
BOLSA DE INVESTIGAÇÃO (M/F)
IBMC - Instituto de Biologia Molecular e Celular | ||
| BOLSA DE INVESTIGAÇÃO (M/F) Referência: PTDC/SAU-MMI/65407/2006 Título do Projecto: “Host-pathogen interactions: role of the Vip-Gp96 interaction in the virulence of Listeria monocytogenes” Código interno: PR253202 Está aberto concurso para recrutamento de um(a) bolseiro(a) de Investigação para colaborar no projecto acima referido, co-financiado pela Fundação para Ciência e a Tecnologia e pelo programa PTDC. A bolsa, em regime de exclusividade, terá a duração de 12 meses, eventualmente renovável, com início previsto a 1 de Outubro de 2007. O valor mensal da bolsa será de € 745,00, pago por transferência bancária (preferencialmente). Local de trabalho: Group of Molecular Microbiology, IBMC, Porto. Perfil pretendido: Os candidatos devem possuir à data de 1 de Outubro de 2007 uma Licenciatura em Microbiologia, Biologia, Bioquímica ou àreas afins, e média final de licenciatura igual ou superior a 15 valores. É condição preferencial possuir experiência de investigação em Microbiologia e/ou Biologia Molecular. Os candidatos devem estar motivados para o trabalho de investigação e interessados em candidatar-se ao grau de Doutor. O prazo para recepção de candidaturas decorre de 23 de Julho até 17 de Agosto de 2007 As propostas deverão incluir uma carta de motivação, CV (incluindo notas obtidas durante a licenciatura), e duas cartas de referência e ser enviadas, preferencialmente por e-mail, para: Didier Cabanes didier@ibmc.up.pt IBMC Group of Molecular Microbiology Rua do Campo Alegre, 823 4150-180 Porto Tel: +351-22-226074907 Fax: +351-22-226099157 Após avaliação do CV, os candidatos pré-seleccionados poderão ser chamados para entrevista. A contratação será regida pelo estipulado na legislação em vigor relativamente ao Estatuto de Bolseiro de Investigação Cientifica, nomeadamente a Lei 40/2004, de 18 Agosto, e o Regulamento de Bolsas de Investigação Científica do IBMC (www.ibmc.up.pt/fellowships.php). |
terça-feira, 17 de julho de 2007
Nova descoberta pode facilitar tratamento da asma
Esta descoberta abre novas possibilidades de desenvolvimento de medicamentos para tratar estas e outras doenças que, sendo mais bem adaptadas aos pacientes, terão maiores probabilidades de êxito.
A enzima agora identificada, designada por síntese LTC4, faz parte do complexo processo que causa a produção de leucotrienos que provocam os sintomas alérgicos e activam a reacção inflamatória que causa as crises de asma.
«Alguns dos medicamentos actualmente existentes inibem os efeitos desta enzima, mas só após o processo ter sido desencadeado. Graças à nova descoberta, que foi hoje publicada na prestigiada revista científica Nature, os cientistas poderão a partir de agora desenvolver novas moléculas que bloqueiam a LTC4 antes de esta poder actuar», pode ler-se no comunicado.
Os dois projectos em causa - EICOSANOX e E-MeP – são dirigidos por professores do Karolinska Institutet de Estocolmo, contando o primeiro na sua equipa com um cientista já laureado com o prémio Nobel. Conjuntamente, os dois projectos receberam um financiamento de 20 milhões de euros do 6º Programa-Quadro de Investigação da UE.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Felizmente não se ficou indiferente ao sucedido aqui pelo ISA!...
Venho informar-vos que o assunto anunciado no post abaixo já está (felizmente) a ser resolvido, bem como já estão a tomar providências para que a situação não se repita. Felizmente os desumanos são poucos nesta intituição e que afinal sempre é uma Instituição de Renome!
No entanto apesar de parecer que tudo estar a ser feito para que isto não volte a acontecer acho que quem promoveu tal sofrimento num animal indefeso deve ser repreendido!!
Mais alguma informação sobre este caso bem como sobre as medidas tomadas informar-vos-ei.
Obrigada por fazerem algo!
Atenciosamente,
Catarina Gonçalves
INCRIVEL, INACEITAVEL...SEM COMENTÁRIOS...E MESMO AQUI NO ISA!!...


Anabela Borges Joana Ribeiro"
Delta Cafés ajuda a travar perda da biodiversidade
A Delta Cafés junta-se hoje ao grupo de empresas portuguesas a aderir ao Business & Biodiversity, que visa estabelecer parcerias para integrar as preocupações com a conservação da fauna e da flora na gestão das empresas, contribuindo para o objectivo europeu de travar a perda de biodiversidade até 2010.
Neste sentido, a empresa assina, hoje, com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) um acordo de compromisso relativo à biodiversidade e à realização de iniciativas de promoção e conservação da mesma.
A Delta Cafés pretende fomentar a biodiversidade no âmbito da sua actividade, isto é ao longo do ciclo de vida do café. Assim, competirá à empresa de Campo Maior promover iniciativas de médio prazo que permitam a recuperação de ecossistemas críticos, identificados ao longo do ciclo de vida do café e contribuir com apoio a projectos de conservação da Natureza a nível regional e nacional.
Secil, EDP e BES são as restantes empresas nacionais que já aderiram à iniciativa.
Produtos biológicos são melhores para o coração
Alguns trabalhos de investigação têm reunido dados que demonstram diferenças significativas entre os níveis de nutrientes presentes nos alimentos biológicos e nos alimentos produzidos convencionalmente. Naturlink (11-07-2007) | ||
| Num estudo desenvolvido na Califórnia, EUA, concluiu-se que determinados alimentos vegetais desenvolvidos pelo modo de produção biológico apresentam níveis superiores de flavonóides do que os desenvolvidos pelo processo convencional. Os flavonóides são um grupo de compostos químicos, na sua maioria antioxidantes, com um importante papel, já demonstrado, para a diminuição da pressão sanguínea e do risco de doenças cardíacas. Estes compostos estão também relacionados como reduzidas taxas de determinados tipos cancro e de demência. A investigação foi desenvolvida ao longo de dez anos, comparando tomates biológicos com tomates provenientes de uma produção padrão e descobriu-se que os tomates biológicos apresentam quase o dobro dos níveis de flavonóides. Os investigadores discutiram que esta diferença verificada poderá estar essencialmente ligada a distintas condições de azoto nos solos para os diferentes modos de produção, resultante das restrições em fertilizantes na agricultura biológica. A produção dos flavonóides em certas plantas é induzida como um mecanismo de defesa ao défice de nutrientes como o azoto no solo, uma situação evitada na agricultura convencional onde os nutrientes estão facilmente e excessivamente disponíveis. Estes resultados são coerentes com um trabalho recente realizado na Europa, onde se determinaram níveis superiores de nutrientes em tomates, pêssegos e maçãs provenientes de agricultura biológica. |
Nanotecnologias – Biosensores e Monitorização Ambiental
As principais vantagens de um biosensor vs técnicas convencionais de monitorização ambiental consistem na possibilidade de análise de múltiplos poluentes, miniaturização, e a importante possibilidade de utilização em campo num regime de tempo real. Marta Santos | ||
| Resultante da crescente consciencialização dos efeitos do aquecimento global, da bioconcentração e da bioacumulação de poluentes, nos últimos anos têm sido adoptadas inúmeras acções e desenvolvidas novas leis que visam o controlo ambiental da poluição. De realçar a nível internacional os esforços da “The Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants”, que se propõe reduzir os níveis de poluentes orgânicos persistentes, e da “European Union Water Framework Directive” que irá revolucionar o modo de monitorização da qualidade da água. A nível nacional, destaca-se um dos objectivos do Plano Tecnológico que consiste na promoção da investigação na área da biotecnologia ambiental, visando o estudo de novas energias renováveis não poluentes, desenvolvimento de sistemas de monitorização, etc.. Todas estas iniciativas enfatizam o controlo de qualidade da água devido à importância deste recurso natural, bem como devido ao sobejamente conhecido fenómeno de dispersão de poluentes através do ciclo da água. Actualmente, a monitorização da qualidade da água, do solo, do ar, dos efluentes industrias e domésticos, etc., baseia-se na recolha de amostras aleatórias seguida de extracções e análises laboratoriais instrumentais. No entanto, estes procedimentos são limitativos fornecendo somente informação relativa a uma amostragem específica e sendo desprovidos de informação de variações espacio-temporais. Desta forma torna-se fundamental o desenvolvimento de sistemas de monitorização ambiental inovadores, baseados em tecnologias de ponta que permitam análise em tempo real. | ||
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| O processo de desenvolvimento de sistemas de monitorização ambiental contempla três níveis: i) Caracterização de ferramentas de triagem de poluentes altamente sensíveis, específicas e rápidas, que possam ser facilmente adaptadas para uso em campo (biomarcadores e imunoensaios); ii) Adaptação de tecnologias analíticas de ponta que permitam a identificação e/ou quantificação inequívocas e exactas de uma extensa gama de poluentes (cromatografia gasosa, cromatografia líquida de alta precisão, espectroscopia de massa, detecção por ultravioleta ou fluorescência, etc.); iii) Desenvolvimento de aparelhos com tecnologia integrada, combinando sensibilidade, flexibilidade e precisão das técnicas acima mencionadas. Curiosamente, os dois primeiros níveis do processo de desenvolvimento de sistemas de monitorização ambiental encontram-se avançados, tornando a integração da tecnologia actualmente disponível o principal objectivo de muitos centros de investigação. A nanotecnologia, tecnologia que envolve um grupo de técnicas emergentes na área da física, química, biologia, engenharia e microelectrónica, é capaz de manipular matéria na escala de 0,000000001 unidades de medida (nano) e tem contribuído de uma forma significativa para o desenvolvimento de aparelhos integrados para uma monitorização ambiental efectiva. De entre as diversas ferramentas analíticas desenvolvidas nos últimos anos, os biosensores apresentam-se como uma das tecnologias integradas mais promissoras. Segundo a IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), um biosensor define-se como um instrumento adequado à detecção de compostos químicos utilizando sinais eléctricos, térmicos ou ópticos gerados através de reacções bioquímicas específicas mediadas por enzimas, tecidos, ou células inteiras. Por outras palavras, um biosensor é capaz de efectuar análise quantitativa ou semi-quantitativa específica integrando um elemento de reconhecimento biológico com um elemento apropriado de transdução de sinal (Figura 1). | ||
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| Figura 1: Componentes essenciais de um biosensor. O transdutor de sinal encontra-se em contacto com o elemento de reconhecimento biológico que interage especificamente com o poluente existente na amostra. Alterações físico-químicas ou bioquímicas resultantes dessa interacção são amplificadas e convertidas em sinais eléctricos processáveis e quantificáveis.[ampliar] De acordo com a natureza do elemento de reconhecimento biológico podem-se dividir os biosensores em dois grandes grupos: i) Biosensores de afinidade; ii) Biosensores catalíticos. Nos primeiros, o elemento de reconhecimento biológico interage com o elemento em análise de uma forma estequiométrica, ou seja, a ligação entre ambos segue uma cinética particular e previamente conhecida. Nestes biosensores, os elementos de reconhecimento biológico podem ser ácido desoxirribonucleico (ADN), anticorpos, receptores proteicos, células, tecidos, etc. (Figura 2). De salientar que a principal vantagem dos biosensores de afinidade é a possibilidade de análise múltipla. O número de moléculas analisadas por um biosensor de afinidade é superior devido à vasta gama de especificidades facilmente obtidas aquando do uso de ditas unidades de reconhecimento biológico (por exemplo, anticorpos usados para desenvolver imunosensores). Por outro lado, nos biosensores catalíticos a interacção entre o elemento de reconhecimento biológico com o elemento em análise resulta na conversão de um substrato, inicialmente não detectado, num produto mensurável por meios ópticos ou electroquímicos. Estes elementos de reconhecimento biológico são principalmente enzimas ou microorganismos (bactérias ou leveduras) alterados geneticamente (Figura 2). A natureza catalítica destes biosensores permite detectar substratos, produtos, inibidores ou modeladores da reacção. Quanto ao elemento de transdução de sinal, são vastas as propriedades físicas que podem ser exploradas, no entanto as propriedades electroquímicas, ópticas e acústicas têm sido mais usadas (Figura 2). | ||
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| Figura 2: Exemplos de princípios explorados para o desenvolvimento de biosensores de aplicação ambiental.[ampliar] De uma forma geral, os poluentes são classificados em compostos orgânicos ou inorgânicos de acordo com a sua estrutura química. No entanto, os poluentes podem ainda ser classificados de acordo com o seu modo de acção uma vez alojados no organismo: i) Disrruptores endócrinos - induzem alterações hormonais; ii) Citotóxicos - efeito nocivo na célula; iii) Carcinogénicos - induzem cancro; iv) Mutagénese - induzem mutações no ADN; v) Genotóxicos - danificam o ADN. | ||
| Devido à sua toxicidade, ubiquidade e persistência, os pesticidas são os poluentes orgânicos cujas concentrações permitidas no ambiente se encontram extensivamente legisladas. São vários os biosensores desenvolvidos para a detecção destes compostos, a grande parte baseada na inibição de enzimas específicas na presença do pesticida (por exemplo, acetilcolinesterases). Apesar da sua produção ter sido banida em vários países, os poluentes orgânicos bifenil policlorados (PCBs) persistem no meio ambiente. No entanto encontram-se desenvolvidos imunosensores e sensores de ADN úteis para a sua monitorização. As dioxinas, subprodutos policlorados libertados como resultado de inúmeros processos químicos que envolvam cloro, são considerados carcinogénicos e uma ameaça para a saúde pública. Biosensores que recorrem a células hepáticas como elemento de reconhecimento biológico permitem determinar a sua presença. Entre outros poluentes orgânicos encontram-se os compostos fenólicos, cuja capacidade de bioacumulação no ambiente é extraordinária; os surfactantes usados nos detergentes, que permitem a permeabilização a outros poluentes em animais aquáticos; os compostos aromáticos derivados de produtos petrolíferos que comprometem a potabilidade da água; e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos derivados da combustão incompleta de combustíveis ricos em carbono (madeira, carvão, diesel, gordura ou tabaco). Para estes poluentes são vários os biosensores desenvolvidos (enzimáticos, imunosensores, recorrendo a bactérias alteradas geneticamente, etc) que permitem a sua monitorização; Substâncias médicas libertadas para o meio ambiente têm merecido menor atenção por parte de investigadores e legisladores. No entanto, a presença de antibióticos no meio ambiente contribui para o aumento da tão preocupante multiresistência a antibióticos. Para esta questão estão a ser aplicados imunosensores ópticos. Quanto a poluentes inorgânicos, o fosfato inorgânico e os nitratos (principais componentes de adubos) são responsáveis pelo fenómeno de eutrofização das águas, que por sua vez origina redução de biodiversidade de um ecossistema. Biosensores enzimáticos permitem a quantificação de fosfato inorgânico, e biosensores com bactérias alteradas geneticamente permitem determinar nitratos. De realçar ainda os metais pesados (chumbo, mercúrio, etc). Estes compostos de ausente função nos organismos levam a bioacumulação e bioconcentração podendo originar doenças severas. Estes metais podem ser monitorizados recorrendo a biosensores que utilizam enzimas, células e bactérias alteradas geneticamente. Em conclusão, como ferramentas de monitorização de qualidade ambiental os biosensores permitem quer a determinação de elementos de qualidade biológica/ecológica, quer a monitorização de compostos orgânicos e inorgânicos poluentes. As principais vantagens de um biosensor versus técnicas analíticas convencionais de monitorização ambiental consistem na possibilidade de análise de múltiplos poluentes em amostras complexas, miniaturização com consequente redução de custos de produção e de análise e a importante possibilidade de utilização em campo num regime de tempo real. Desta forma um biosensor pode ser usado para monitorização contínua de determinada área contaminada permitindo ainda analiticamente, não só a detecção específica de um químico, mas também a determinação do seu efeito biológico e biodisponibilidade. Desta forma, e apesar da lacuna em biosensores para um grupo significativo de poluentes, o desenvolvimento de biosensores para monitorização ambiental promete revolucionar os protocolos de controlo de qualidade vigentes. | ||
| BIBLIOGRAFIA: Allan IJ, Vrana B, Greenwood R, Mills GA, Roig B e Gonzalez C. (2006). “A 'toolbox' for chemical and biological monitoring requirements for the European Union’s Water Framework Directive” Talanta 69:302-322. Rasooly A. (2005). “Biosensor technologies”. Methods 37: 1-3. Marco MP, Barceló D. (1996). “Environmental applications of analytical biosensors”. Meas.Sci.Technol. 7: 1547-1562. Rodriguez-Mozaz S, Lopez de Alda MJ, Barcelo D. (2006). “Biosensors as useful tools for environmental analysis and monitoring.” Anal Bioanal Chem. 386:1025-1041. Rogers KR, Gerlach CL. (1996). “Environmental Biosensors: A Status Report” in Environmental Science and Technology published by the American Chemical Society. Site consultado: www.pops.int |
EPER – O registo Europeu das emissões poluentes
Na sequência do licenciamento ambiental, foi estabelecida a Decisão EPER (Registo Europeu das Emissões de Poluentes) pela UE, que define um universo de 50 poluentes a considerar, apresentando um valor limiar na atmosfera e/ou na água para cada um. Rita Teixeira d’Azevedo | ||
| 1. Enquadramento Legislativo e Âmbito A Decisão da Comissão 2000/479/CE de 17 de Julho de 2000 (Decisão EPER), relativa à criação de um Registo Europeu de Emissões Poluentes (European Pollutant Emission Register O artigo 15º da Directiva IPPC refere que a Comissão publicará de três em três anos um inventário das principais emissões de poluentes e fontes responsáveis, com base nos elementos transmitidos pelos Estados-Membros, competindo à Comissão fixar o formato e os dados característicos necessários ao envio dessas informações. Surge assim a Decisão EPER, que obriga os Estados-Membros a enviar à Comissão um relatório das emissões para o ar e para a água de cada uma das instalações que exercem uma ou mais actividades do Anexo I da Directiva IPPC (Actividades IPPC). - EPER) foi criada nos termos do disposto no artigo 15º da Directiva 96/61/CE do Conselho, de 24 de Setembro de 1996, relativa à Prevenção e Controlo Integrados da Poluição (Directiva IPPC), no âmbito do licenciamento ambiental. | ||
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| O Decreto-Lei nº 194/2000, de 21 de Agosto, que transpôs para o direito interno a Directiva IPPC, atribui ao Instituto do Ambiente a qualidade de Autoridade Competente para a licença ambiental, sendo esta entidade responsável pela elaboração e envio à Comissão de três em três anos do inventário anual das principais emissões de poluentes para o ar e para a água e fontes responsáveis, relativo a todas as instalações portuguesas, novas e existentes, abrangidas pelo regime jurídico relativo à Prevenção e Controlo Integrados da Poluição (artigo 5º, ponto 1). Para a elaboração deste inventário é fundamental a participação dos operadores que se encontram obrigados a enviar anualmente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) a resposta ao formulário sobre emissões de poluentes que lhes for solicitado por esta (artigo 8º, ponto 5). O formato para a comunicação dos dados de emissões pelos Estados-Membros encontra-se definido pelo Anexo A2 da Decisão EPER e está estruturado de forma a que a apresentação dos dados seja realizada por instalação. Serão incluídos dados relativos à identificação do estabelecimento e a listagem dos poluentes e respectivos valores de emissão, para os quais os valores limiar tenham sido excedidos. O Anexo A1 da Decisão define a listagem de poluentes EPER e respectivos limiares de emissão, a considerar pelos Estados-Membros. | ||
| A declaração dos poluentes EPER e respectivos valores de emissão será efectuada para cada uma das actividades do Anexo I exercidas na instalação e correspondente(s) código(s) NOSE-P (a correspondência entre actividades do Anexo I da Directiva IPPC e os códigos NOSE-P a cinco dígitos, encontra-se no Anexo A3 da Decisão). Conforme estipulado pelo artigo 4º da Decisão EPER e em conformidade com o intercâmbio de informação previsto pelo artigo 16º da Directiva IPPC, a Comissão, assistida pela Agência Europeia do Ambiente, colocará os dados recebidos pelos Estados-Membros à disposição do público, tornando-os acessíveis na internet. | ||
| A Decisão EPER estabelece no seu Anexo A1 um universo de 50 poluentes (Poluentes EPER) a considerar pelos Estados-Membros para efeitos da apresentação do relatório à Comissão, apresentando, para cada poluente listado, um valor limiar na atmosfera e/ou na água em kg/ano. O universo de 50 poluentes EPER inclui um conjunto de 37 poluentes atmosféricos a considerar para efeitos da declaração das emissões de fontes emissoras pontuais e difusas e um conjunto de 26 poluentes a declarar para a água, como resultado de descargas directas e indirectas para o meio hídrico. Para efeitos da apresentação dos dados de emissões de poluentes à autoridade competente, os operadores deverão ter em consideração todos os poluentes EPER que estarão a ser emitidos pelas fontes emissoras associadas às actividades IPPC e não IPPC da sua instalação. De acordo com o Documento Guia para a Implementação do EPER (elaborado pela Direcção Geral do Ambiente da Comissão Europeia em Novembro de 2000), as emissões das actividades não IPPC podem ser excluídas, desde que seja possível quantificar e separar os contributos das mesmas para as emissões da instalação. Por forma a definir o conjunto de poluentes EPER emitidos pela sua instalação, cada operador deverá à partida ter em consideração o universo de 50 poluentes EPER. Posteriormente deverá efectuar uma análise ao diagrama de processo da sua instalação e às matérias-primas e subsidiárias utilizadas nos seus processos IPPC e não IPPC. O operador poderá depois cruzar a listagem que definiu para a sua instalação com as sub-listas de poluentes para sectores específicos, constantes dos apêndices 4 e 5 do Guia de Implementação do EPER. Estas sub-listas listam os poluentes que potencialmente estarão a ser emitidos por cada categoria de fonte/actividade do Anexo I da Directiva IPPC. São sub-listas meramente indicativas já que devem ser apenas consideradas como um auxílio aos operadores e Estados-Membros na definição dos poluentes associados a cada caso particular. Porque cada instalação é um caso, o operador deverá fazer uma análise crítica à especificidade da sua instalação por forma a definir a sua própria lista de poluentes EPER. Para além das sub-listas de poluentes acima referidas, encontram-se à disposição do operador um conjunto de outros documentos que poderão ser úteis para a sua análise, nomeadamente os BREF, as licenças emitidas para a sua instalação ou outros documentos de referência existentes para a actividade que exerce. BREF é a denominação de Best Available Technologies (BAT) REFerence, e aplica-se a documentos produzidos por um painel europeu de especialistas com o objectivo de definir as Melhores Técnicas Disponíveis (MTD) para os diversos sectores industriais. | ||
| O Guia de implementação do EPER apresenta todos os requisitos relativos à forma de apresentação dos dados de emissão por parte dos Estados-Membros. Assim, e de acordo com as indicações constantes neste documento, cada valor de emissão deve ser apresentado da seguinte forma: . expresso em Kg/ano; . com arredondamento a 3 dígitos significativos; . acompanhado por um código de uma só letra (M, C, ou E), referente à metodologia utilizada para a determinação da emissão. M se medido, C se calculado, ou E se estimado. Estes códigos são utilizados por uma questão de transparência, não se referindo nem à precisão nem à preferência por uma metodologia. | ||
| De acordo com o Guia de implementação do EPER, existem três metodologias possíveis para a determinação das emissões, são elas a medição (M), o cálculo (C) ou a estimativa (E). A escolha dos métodos de determinação a utilizar fica ao critério dos Estados-Membros, que por sua vez deixarão ao critério dos operadores os métodos que utilizarão para a determinação das suas emissões de poluentes. 4.1 Valores de emissão obtidos por medição As emissões obtidas por medição envolvem a realização de medições na fonte (pontuais ou em contínuo), efectuadas com recurso a métodos normalizados e reconhecidos. O Guia de implementação do EPER apresenta no Apêndice 3 uma lista indicativa de métodos de medição que poderão ser utilizados, no entanto, poderão ser utilizados outros métodos de medição, desde que normalizados ou reconhecidos. 4.2 Valores de emissão obtidos por cálculo As emissões de poluentes poderão também ser obtidas por cálculo e esta alternativa inclui o recurso a balanços de massa aos processos e também à utilização de factores e inventários de emissão (aceites a nível nacional e internacional) representativos do sector industrial ao qual estão a ser aplicados. Relativamente ao recurso a factores de emissão, o Guia de implementação do EPER lista alguns exemplos de fontes disponíveis sobre factores de emissão para o ar e para a água, para uma considerável gama de processos industriais e seus poluentes característicos. O Guia do EPER não esgota, no entanto, as fontes de informação disponíveis, podendo ser consultadas outras fontes não incluídas na listagem do Guia, mas igualmente fiáveis, como por exemplo: . O Inventário Europeu de Dioxinas (relatório efectuado para a DG XI da Comissão Europeia (Europe.eu.int/comm/environment/dioxin). . O American Petroleum Institute, que disponibiliza no seu site da internet um conjunto de factores de emissão para fontes de combustão (www.api.org). 4.3 Valores de emissão obtidos por estimativa Na impossibilidade de medir ou calcular a emissão de um poluente, resta a estimativa, que normalmente envolve a adopção de pressupostos. Uma das alternativas possíveis para esta metodologia será, por exemplo, o recurso a dados baseados em conhecimentos de peritos do sector. |
Lar, doce lar - ninhos, tocas e similares
Escondidos, camuflados ou construídos em locais praticamente inacessíveis, os abrigos dos animais constituem, por vezes, verdadeiras obras primas da engenharia, capazes de satisfazer as mais diversas necessidades de cada “construtor”. Alexandre Vaz | ||
| Existe um grande número de animais, desde os insectos aos mamíferos, passando pelos aracnídeos, peixes, répteis, anfíbios e aves, que em determinadas fases do seu ciclo vital carecem de protecção contra os elementos naturais e potenciais predadores. Para se resguardar, a maioria constrói tocas e ninhos, mas também existem animais que não precisam de o fazer, porque a sua estrutura orgânica prevê essas eventualidades. O paradigma destes talvez seja o caracol. Também bastante comum, é a adopção de refúgios naturais, como cavidades em árvores ou em rochas. Algumas espécies de aves, que vivem em regiões temperadas e que não encontram no clima qualquer factor adverso, estão adaptadas a colocarem os ovos directamente no solo, ou no tronco de uma árvore. Para fazer face aos predadores, os ovos destas aves são frequentemente miméticos, confundindo-se muito facilmente com a paisagem. Há animais que constroem ninhos apenas para criar a prole, outros para passar a noite, para hibernar durante longos meses, ou até para passar toda uma vida. Frequentemente pensamos nas nossas casas como os exemplos acabados do avanço tecnológico a que chegámos. No entanto, entre os outros animais, podemos encontrar soluções de um engenho tal, que nada ficam a dever às dos mais competentes arquitectos e engenheiros. | ||
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| As tocas são, por definição, escavadas no solo ou em vertentes de terra, lama, neve ou outro tipo de sedimento. Os ninhos são estruturas de complexidade muito variável, que podem estar suspensos, assentes em troncos, ramos, pequenas ervas, algas, no chão, ou até flutuar. Quando se fala de ninhos, os primeiros que geralmente nos ocorrem são os das aves, muito embora também os haja construídos por peixes, insectos, aracnídeos e roedores. Entre as aves encontram-se alguns dos mais hábeis construtores de ninhos. A maior parte delas utiliza o ninho apenas durante a época de reprodução, para aí pôr os seu ovos e, eventualmente, albergar as crias. As características dos ninhos adequam-se à morfologia dos que os constroem, ao clima do local onde são feitos e à presença de predadores. Os ninhos de alguns abutres podem ter dois metros de diâmetro e pesar mais de uma tonelada, mas os ninhos dos colibris são pouco maiores que um dedal. Há também ninhos flutuantes, como os dos mergulhões, escavados como os dos abelharucos, ou comestíveis como os dos andorinhões da Malásia, só para citar alguns. | ||
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| Os ovos das aves são altamente nutritivos, e existem animais que em determinadas estações do ano alimentam-se fundamentalmente deste recurso. Em África, os tecelões adaptaram-se a construir ninhos suspensos na ponta de finos ramos, que ficam fora do alcance da maioria dos predadores terrestres ou alados. Mesmo assim, as cobras arborícolas conseguem facilmente atingi-los, predando com frequência os ovos ou as crias. Para contornar este problema, algumas espécies, como o Anthoscopus minutos, um pequeno passeriforme, constroem ninhos dotados de uma entrada conspícua, que conduz a uma câmara falsa. Assim, as cobras que atingem o ninho, entram nele e concluem ter chegado tarde demais, não imaginando que o seu objectivo se encontra separado de si apenas pela fina parede da câmara do ninho. A importância dos ninhos não se resume à protecção contra os predadores. O processo da incubação dos ovos carece de características térmicas específicas. Os ninhos (ou tocas) escavados no solo pelos abelharucos mantêm no seu interior uma temperatura constante de cerca de 25º C, mesmo que a temperatura exterior varie entre os 13º C e os 51º C. A importância da temperatura no ninho reflecte-se não só directamente no desenvolvimento dos ovos, mas também no tempo que os progenitores despendem na incubação. Quem aperfeiçoou estas técnicas até ao extremo, foram as aves pertencentes à família Megapodiidae, que habitam a Ásia e a Oceânia, e que quase se alheiam do processo de incubação, ficando este a cargo do calor libertado durante a decomposição do enorme monte de matéria orgânica que constitui o ninho. O elemento masculino do casal limita-se, durante este processo, a verificar a temperatura dentro do ninho, podendo, se necessário, cobrir ou descobrir os ovos. | ||
| Poder-se-ia supor que as construções mais complexas seriam as elaboradas pelos animais tidos por mais inteligentes, como os mamíferos ou as aves. No entanto, nem sempre é assim. Os ninhos de abelhas podem albergar várias dezenas de milhar de indivíduos, e são formados por células hexagonais construídas com cera. As paredes de cada célula têm, aproximadamente, 0,002 mm de espessura e cada parede faz com as que lhe são contíguas um ângulo de exactamente 120º. Dentro da colónia existem espaços reservados para armazenar alimento, para a criação das larvas e para a rainha. | ||
| Para além destes exemplos, muitos outros podiam ser dados, porque o mundo natural está repleto de seres que, tal como muitos de nós, lutam arduamente para ter a sua habitação. | ||
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quarta-feira, 4 de julho de 2007
Impactes ambientais do Desporto
Sílvia Teixeira – Engª do Ambiente
Mais informações em:
http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=
16165&iCanal=29&iSubCanal=39&iLingua=1
As plantas também adoecem...
Joana Henriques
Mais informações em:
http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=13299&iCanal=
29&iSubCanal=3783&iLingua=1
II Edição da FEIRA NACIONAL DE PARQUES NATURAIS E AMBIENTE
domingo, 1 de julho de 2007
Bolsa de Técnico de Investigação
| CCMAR - Centro de Ciências do Mar do Algarve | ||
| Anúncio para atribuição de Bolsa de Técnico de Investigação No âmbito do projecto (LIFE06 NAT/P/000192) Ref.ª: (CCMAR/BTI/0010/2007) O Centro de Ciências do Mar do Algarve abre concurso para atribuição de uma bolsa de Técnico de Investigação no âmbito do projecto LIFE06 NAT/P/000192 designado por (Restoration of Biodiversity in the Marine Park Site Arrábia-Espichel (PTCON0010) co-financiado pela Comunidade Europeia e pela SECIL através do programa LIFE - Nature, nas seguintes condições: Funções a desempenhar: - Condução de experiências laboratoriais no domínio da germinação de sementes de plantas marinhas e de tecidos vegetais. - Manutenção de plantas marinhas em cultura. - Análise estatística de dados experimentais. - Participação nas campanhas de transplantes de ervas marinhas no Portinho da Arrábida. Local de trabalho: Centro de Ciências do Mar do Algarve, Faro. Requisitos: - Licenciatura na área da biologia marinha e pescas, ou equivalente. - Curso de mergulho com escafandro. - Fluência em Inglês, escrito e falado. - Carta de condução e viatura própria. Critérios de avaliação: - Experiência de investigação em ecologia de ervas marinhas. - Experiência de trabalho de laboratório em cultivo de plantas marinhas e na germinação de sementes de plantas marinhas em condições controladas. - Frequência de curso de estatística avançada – design experimental. Condições da bolsa: Duração de 12 meses, com inicio previsto para 1 de Setembro de 2007, em regime de exclusividade, conforme regulamento de formação avançada de recursos humanos da FCT (http://www.fct.mces.pt/pt/apoios/formacao/ambitoprojectos) e regulamento de bolsas de investigação cientifica do CCMAR em (http://www.ualg.pt/ccmar/regulamento_de_bolsas_do_ccmar.htm). A Bolsa poderá, eventualmente, ser prorrogada por um período adicional de 12 meses. Remuneração: Será de acordo com a tabela de valores das Bolsas de investigação no país atribuídas pelo CCMAR Prazos de recepção: Serão admitidas candidaturas de 2 de Julho a 16 de Julho de 2007. Candidatura: As candidaturas devem ser feitas em formulário próprio (IP.CCM.040/00) que pode ser obtido em http://ccmar.ualg.pt/instit_bolsas.htm e incluir uma cópia do certificado de habilitações, Curriculum vitae detalhado e eventualmente referências Envio de candidaturas: As candidaturas devem ser enviadas para Centro de Ciências do Mar, Ref.ª: (CCMAR/BTI/0010/2007), a/c de Prof. Dr. Karim Erzini, Universidade do Algarve, Campus de Gambelas, 8005-139 Faro. Divulgação de resultados: A comunicação dos resultados da avaliação será feita até 30 dias úteis após o termo do prazo de apresentação das candidaturas, mediante comunicação escrita. Comissão responsável pela selecção: Prof. Dr. Karim Erzini Doutora Alexandra Cunha Doutor Onno Diekmann Para melhor avaliação dos candidatos poderá haver recurso a entrevista |
Dispersão e Filopatria - estratégias para a distribuição de aves e mamíferos
Os etólogos repararam numa curiosa tendência: chegada a altura de abandonar o local onde nasceram, entre as aves geralmente dispersam-se as fêmeas, mas nos mamíferos são mais frequentemente os machos que abandonam o território natal. Eduardo Barrento | ||
| Muitos animais vivem em comunidade, formando grupos sociais, compostos por elementos da mesma espécie: bandos, alcateias, cardumes, etc. Há também animais que vivem isolados. Mas até estes têm necessidade de se juntar para se reproduzirem, nem que seja apenas no acto do acasalamento. Além disso, mães e crias formam grupos, mais ou menos temporários, conforme as espécies. A fêmea de Urso-pardo passa cerca de três anos com a cria. Por outro lado, algumas espécies de aves são nidífugas, isto é, assim que nascem abandonam o ninho, o que não quer dizer que os pais, ou pelo menos um deles, não acompanhem a prole. No fundo, todos os animais têm a necessidade de, pelo menos em algum momento, partilhar o espaço com outros animais da mesma espécie. Qualquer grupo obedece a regras internas, normalmente definidoras de hierarquia social, mantendo assim o equilíbrio dos laços existentes. São inúmeros os comportamentos sociais das diversas espécies que os etólogos tentam registar e compreender. O facto de os animais poderem viver isolados ou em comunidade, poderá estar ligado a factores derivados da pressão competitiva: em grupo aumenta a pressão por alimento, por parceiro sexual ou pelo local de reprodução. O risco de contágio por doença aumenta também, além de que vários animais juntos são mais facilmente detectáveis pelos predadores, do que quando se encontram isolados. Mas viver em comunidade também aumenta o número de olhos, narizes e orelhas alerta para o perigo. Entre os predadores, a cooperação conjunta torna mais fácil a caçada, além de poder proporcionar a captura de presas muito maiores do que seria possível obter isoladamente. Existem também casos de cooperação na criação da prole, com as evidentes vantagens de tal facto. | ||
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| Os jovens adultos, dependendo de vários factores, podem ficar no grupo familiar ou partir para formarem a sua própria família ou para viverem isoladamente. O habitat, a distribuição de alimento, o sistema de acasalamento e os riscos de endogamia, parecem determinar, em grande medida, o nível de dispersão dos jovens animais em relação ao seu local de nascimento. Dependendo da espécie, os factores que mais influenciam a dispersão variam, e dentro de cada espécie, pode também haver diferentes formas de dispersão. Quando os jovens ficam na sua área natal, partilhando o território com os progenitores, falamos em filopatria natal. Esta estratégia tem vantagens e custos. O grau de parentesco entre os elementos do grupo aumento o risco de endogamia, com a consequente redução de variabilidade genética, o que é uma evidente desvantagem evolutiva. No entanto, a consanguinidade pode favorecer a “selecção” de genes que determinem uma boa adaptação a um determinado habitat. | ||
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| Entre outros custos da vida em grupo, podemos referir o aumento da densidade populacional, que fará subir a competição por recursos e parceiros sexuais, bem como por abrigos ou locais de reprodução. Segundo algumas teorias sociobiológicas, porém, a vida em sociedade leva à redução da agressividade entre os membros e ao aumento dos comportamentos altruístas. Outra vantagem da vida social dos animais é a de um melhor conhecimento do local onde o grupo habita. A dispersão tem, também, custos e benefícios. Se, por um lado, evitam assim a consanguinidade, por outro, dispendem muita energia deambulando à procura de novos territórios, além de que não conhecem as novas áreas para onde se deslocam. Podem ainda encontrar muita resistência e agressividade por parte de indivíduos que habitem territórios por onde passem ou para onde se desloquem. | ||
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| Portanto, a dispersão e a filopatria têm, cada qual, os seus custos e benefícios. Uma solução de compromisso, que adoptasse comportamentos de dispersão e de filopatria poderia ser uma boa estratégia. Foi o que fizeram muitas espécies, especialmente entre as aves e os mamíferos. Em geral, dá-se uma diferenciação por sexos: enquanto os elementos de um dos sexos ficam no local de nascimento, os do outro sexo partem. Assim, evitam os problemas de endogamia, e os membros que permancem, desfrutam das vantagens da filopatria. Curiosamente, parece haver uma tendência para que, nas aves, se dispersem as fêmeas, enquanto nos mamíferos são os machos que maioritariamente se dispersam. Alguns etólogos têm tentado explicar esta tendência que, reafirme-se, é uma tendência, com excepções. Um dos etólogos que se debruçou sobre o assunto, Paul Greenwood, publicou um artigo em 1980, onde explana duas hipóteses para explicar o comportamento de aves e mamíferos quanto à dispersão. Começando por admitir que uma separação comportamental entre sexos, um deles ficando no local onde nasceu o outro partindo para novas paragens, traria evidentes vantagens para a espécie, e acrescenta uma explicação para as diferenças entre aves e mamíferos. Essa diferença, segundo Greenwood, baseia-se no modo diverso como os machos de aves e de mamíferos competem por parceiras. Os mamíferos são maioritariamente poligínicos, isto é, cada macho defende um grupo de fêmeas, competindo com outros machos pelas parceiras. Os machos jovens e os subordinados, impedidos de chegar às fêmeas, aumentam as suas possibilidades de acasalamento quando se dispersam. As fêmeas, normalmente, vivem em grupos matralineares (compostos por mães, filhas e netas), beneficiando das vantagens daí decorrentes. Assim, os machos são “forçados” a dispersarem-se para evitar os problemas de uma elevada taxa de consanguinidade. | ||
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| Por outro lado, as aves são maioritariamente monogâmicas. Os machos, em vez de competirem directamente pelas fêmeas, competem por locais com bons recursos (em alimentação e em locais de nidificação), locais esses que atrairão as potenciais companheiras. O conhecimento do local será, então, mais importante para os machos do que para as fêmeas. Estas, dispersando-se evitam os problemas genéticos da endogamia e escolhem os territórios com melhores recursos. Mas estas hipóteses, funcionando bem na generalidade, têm muitas excepções, como no caso dos mamíferos territoriais, em que seria de esperar que se verificasse a hipótese dos machos teritoriais das aves, e que ocorresse a dispersão das fêmeas. Tal não acontece na maioria dos casos. Surgiram então mais hipóteses para explicar as diferenças entre sexos na dispersão. Primeiro, em 1989, em relação aos mamíferos, por Clutton-Brock, e depois expandido às aves, por Wolff e Plissner, em 1998. Em ambos os casos, os autores partem do princípio de que a filopatria é preferencial à dispersão. E que o primeiro sexo a ter oportunidade de se reproduzir será o que escolherá ficar no território, enquanto o outro sexo irá dispersar-se. Uma vez que as fêmeas dos mamíferos amamentam e cuidam das suas crias, os machos, geralmente, não apresentam cuidados parentais. Daqui resulta que os machos estão livres para vaguear para longe. Quando a sua descendência feminina alcança a idade de reprodução, muito provavelmente, o pai não estará presente, permitindo às filhas não terem de se ausentar para evitar a consanguinidade. Se o macho reprodutor estiver presente quando as suas filhas atingem a idade reprodutora, são estas que se dispersam. | ||
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| Uma outra hipótese, sustentada por Stephen Dobson em 1982, afirma que nos mamíferos poligínicos, a competição por parceiros sexuais é maior nos machos do que nas fêmeas, daí serem os machos a dispersarem-se. Por outro lado, nos mamíferos monogâmicos, os níveis de competição por parceiros sexuais serão mais equivalentes, pelo que a dispersão entre sexos tenderá a efectuar-se em proporções equivalentes. Os dados parecem corroborar esta hipótese. Mas também aqui existem lacunas: como explicar, então, por exemplo, o comportamento das fêmeas nas espécies de aves monogâmicas, em que, maioritariamente, são estas a dispersar-se? Em 1985, surge uma terceira hipótese, desenvolvida por Olof Liberg e Torbjörn von Schantz, apelidada de Hipótese de Édipo. Aqui, os autores colocam a enfase nos reprodutores e não nos jovens adultos, como o fizeram os anteriores autores. Segundo esta nova hipótese, são os pais que expulsam os jovens do território, forçando-os a dispersarem-se, e não estes que tomam a iniciativa de o fazerem. Para Liberg e von Schantz as diferenças na dispersão entre sexos, tanto nas aves como nos mamíferos, reduz a competição em termos reprodutivos entre pais e filhos. Assumem que para a descendência, na maioria dos casos, seria preferível ficar. Mas os pais ocupam uma posição hierárquica superior, e são estes que “decidem” da partida ou não dos filhos, e de qual dos sexos. E se os progenitores beneficiarem com a permanência dos filhos, mas não houver recursos suficientes para tamanha prole, poderão determinar a expulsão de alguns membros, até que o número de efectivos se “encaixe” nos recursos existentes. Assim, o sistema reprodutivo de aves e mamíferos está intimamente ligado com o tipo de competição entre os progenitores e as descendências masculina e feminina. Genericamente, nas espécies com um sistema de reprodução poligâmico ou promíscuo, a descendência masculina, se ficar em casa, tenderá a competir com o pai por fêmeas, enquanto a descendência feminina não é uma ameaça para nenhum dos progenitores. Já nos sistemas monogâmicos, seria de esperar que nem filhos nem filhas competissem com qualquer dos pais, precisamente porque estes são monogâmicos. Mas, como já vimos, as fêmeas das aves têm tendência à dispersão, o quer dizer: são expulsas pelos pais, enquanto as fêmeas dos mamíferos são toleradas. Porquê? Pelos seus diferentes modos de reprodução: postura versus gestação e nascimento. Nas aves, uma filha a quem seja permitida a permanencia junto dos pais, poderá enganar os pais colocando ovos no ninho da família, deixando assim os custos da nidificação para aqueles. Quanto às filhas dos mamíferos, estas não têm como esconder a gravidez e o nascimento aos pais, pelo que não os poderão enganar e, então, os pais nada têm a temer, em termos de competição reprodutiva com as filhas. | ||
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| Deste modo, segundo a Hipótese de Édipo temos quatro possibilidades: (1) nas aves monogâmicas, os progenitores expulsam as filhas, porque estas, apesar de não enganarem os pais quanto a cópulas, porque estes são monogâmicos, podem, no entanto, pôr os seus próprios ovos no ninho familiar, enganando ambos os pais. Os filhos, como não podem enganar os pais, são tolerados. (2) Nas aves poligínicas ou promíscuas, ambos os sexos da descendência são forçados a abandonar a área natal, porque ambos podem trair os progenitores. (3) Nos mamíferos monogâmicos, nem machos nem fêmeas descendentes podem enganar os progenitores, pelo que ambos os sexos tendem a ser tolerados no território dos pais. (4) Nos mamíferos poligâmicos ou promíscuos, a descendência masculina é expulsa porque poderão enganar o pai, acasalando com uma das fêmeas. As filhas, como não podem enganar os progenitores tendem a ficar em casa. A Hipótese de Édipo explica muitas contradições das outras hipóteses; no entanto, também tem a sua falha: não explica o facto de alguns descendentes abandonarem “de livre vontade” a área natal, o que se poderá ficar a dever à procura de melhores recursos ou para evitar a endogamia. Como sempre, a Natureza é equilibrada mas complexa. Nenhuma hipótese explica, por si só, todas as situações que podemos encontrar quando procuramos entender as diferenças entre sexos, em aves e mamíferos, quanto à dispersão ou à filopatria. Portanto, tendo em conta o papel que jogam tanto progenitores como descendência, e as variações que poderão ocorrer de acordo com a espécie, o sexo ou o indivíduo, devemos atender a que os animais, aves e mamíferos, se tenderão a dispersar, ou não, de acordo com a satisfação de três factores básicos: a redução da competição por recursos, a redução da endogâmia e a redução da conflitualidade entre progenitores e descendência. Bibliografia Alcock, J. (1993). Animal Behavior. Sixth Edition, Sinaneur. Cockburn, A. (1991). An Introduction to Evolutionary Ecology. Blackwell Scientific Publications, Oxford. Futuyma, D. J. Evolutionary Biology, 3rd edition. Sinaeur Associates, Inc. Publishers, Sunderland, Massachusetts. Goodenough, J., McGuire, B. e Wallace, R. A. (2001). Perspectives on Animal Behavior. Second Edition, John Wiley and Sons, Inc. Manning, A. e Dawkins, M. S. (1993). An Introduction to Animal Behavior. Fourth Edition, Cambridge University Press. Sherman, P. W. e Alcock, J. (1998). Exploring Animal Behavior. Second Edition, Sinauer Associates, Inc. Publishers, Sunderland, Massachusetts. Slater, P. J. B. e Halliday, T. R. (1994). Behavior and Evolution. Cambridge University Press. |
