Lic de Biologia no ISA

A licenciatura tem um perfil técnico-científico de banda larga, com três anos iniciais seguidos de posterior de formação com carácter aplicado. O ISA é uma das escolas com maior experiência no domínio da Biologia Aplicada e os licenciados terão uma sólida formação científica e oportunidades de emprego generalista em todos os domínios da Biologia, nomeadamente nas áreas do ambiente e ecologia aplicada, genética e biologia molecular, conservação da natureza e utilização e conservação dos recursos biológicos, podendo desempenhar funções na investigação científica, em laboratórios especializados, bem como em tarefas de consultadoria.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ver para Crer - no Parque de Natureza de Noudar

Com o Projecto - Experimentar Noudar – o Parque de Natureza de Noudar promove a Ciência fora da Escola. No dia 29 de Janeiro será desenvolvido um conjunto de actividades no âmbito deste projecto.

Parque de Natureza de Noudar

O Parque de Natureza de Noudar, propriedade da EDIA, Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva, S.A, leva a cabo no dia 29 de Janeiro de 2008, um conjunto de actividades dirigidas ao público escolar que integram o projecto Experimentar Noudar, apoiado pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.
Neste dia os alunos irão desenvolver algumas das actividades que foram preparadas para Experimentar Noudar, concorrendo com a natureza na construção de ninhos, explorando os habitats do Parque, jogando o Pomar dos Sentidos ou conhecendo as raridades floristicas da região através de uma inovadora solução tecnológica, a Flora Digital.
Aliando a conservação da natureza e do património à manutenção de um espaço rural de características ímpares e a uma ponderada dimensão lúdica e pedagógica, o Parque proporciona um conjunto de actividades e aprendizagens único.
No Parque de Natureza de Noudar os conteúdos escolares são abordados de uma forma inovadora, integrando as aprendizagens efectuadas em sala, num espaço de descoberta e de aplicação de conceitos, desenvolvendo novos caminhos de pesquisa e experimentação, estimulando a curiosidade, o espírito científico e o trabalho de equipa.
Para conhecer o projecto vá a www.parquenoudar.com

domingo, 27 de janeiro de 2008

A caminho do primeiro organismo artificial? Investigadores norte-americanos criam genoma sintético de bactéria!


Bactéria 'Mycoplasma genitalium'
Bactéria 'Mycoplasma genitalium'

Investigadores norte-americanos do Instituto Venter anunciaram hoje ter conseguido criar em laboratório o primeiro genoma sintético de uma bactéria, um passo considerado crucial para a criação de uma forma de vida artificial. Trata-se da maior estrutura de DNA alguma vez fabricada pelo homem, destacam os autores deste estudo, publicado hoje na revista científica norte-americana Science.

"Isto representa um avanço entusiasmante para nós investigadores e para esta disciplina", afirmou hoje Daniel G. Gibson, principal autor do estudo, no qual também participou Craig Venter, fundador do Instituto e um dos mais controversos pioneiros da biotecnologia.

ND - Ver informação do Institute Venter em http://www.jcvi.org/cms/research/projects/chemical-synthesis-of-the-mycoplasma-genitalium-genome/overview/



Craig Venter já se tinha distinguido pela sequenciação do genoma
Craig Venter já se tinha distinguido pela sequenciação do genoma

Porém, o principal responsável pelo documento sublinhou que os trabalhos continuam com o "objectivo último" de "inserir um cromossoma sintético numa célula [viva] para criar o primeiro organismo artificial".

"Demonstrámos que é possível criar artificialmente grandes genomas e ajustar o seu tamanho, o que abre caminho para potenciais aplicações importantes, tais como a produção de biocombustíveis ou para o absorção de dióxido de carbono [CO2]", explicou Hamilton Smith, um dos co-autores da investigação.

De acordo com este investigador, através desta descoberta será também possível "produzir organismos artificiais para o tratamento biológico de resíduos tóxicos", entre outros. O principal autor do estudo, Dan Gibson, precisou que a pesquisa "representa a segunda das três etapas para a criação de um organismo vivo inteiramente artificial".

Para a etapa final - na qual os especialistas já se encontram a trabalhar - os investigadores do Instituto Venter vão tentar criar uma célula artificial de bactéria baseada inteiramente no genoma sintético da bactéria 'Mycoplasma genitalium', que acabam de produzir. Ou seja, este cromossoma será transplantado para uma célula viva, da qual poderá tomar o controle e transformar-se em uma nova forma viva.

Escrever o código genético

O genoma que os investigadores conseguiram criar em laboratório copia partes essenciais do DNA da bactéria "Mycoplasma genitalium" e foi baptizado pelos seus criadores de 'Mycoplasma laboratorium'. O Mycoplasma genitalium é um organismo relativamente simples quando comparado com um ser humano, já que é composta por 580 genes enquanto um humano é composto por 36.000 genes.

Citado pelo jornal britânico The Guardian, o fundador do Instituto, Craig Venter, já tinha afirmado que esta descoberta iria permitir aos investigadores "passar da leitura do código genético" para a possibilidade de "ter a habilidade de escrevê-lo".

"Isto dá-nos a capacidade hipotética de fazer coisas que não foram imaginadas antes", frisou.

De acordo com Pat Mooney, director da organização canadiana ETC Group, um grupo de reflexão sobre bioética, os investigadores estão a criar "um chassis sobre o qual se pode construir praticamente qualquer coisa".

"Pode-se tornar numa contribuição à humanidade tão grande como um novo medicamento, ou uma enorme ameaça, como uma arma biológica", advertiu.

Reacções cautelosas

Mas outros cientistas são mais cautelosos, considerando que Venter e sua equipa ainda estão longe de poder criar vida artificial. Eckard Wimmer, professor de Biologia Molecular do Departamento de Genética Molecular da Universidade de Nova York, pergunta-se por que o Instituto Venter já não pôde, com este genoma artificial, recriar um organismo artificial.

Ressaltou um comentário dos autores ao final do estudo indicando que "o vetor (genoma artificial) talvez não fosse viável para transplantes experimentais". Uma opinião compartilhada por Helen Wallace, bióloga e porta-voz do GeneWatch Grã-Bretanha, que considerou que embora a equipe de Venter tenha feito uma proeza técnica, não é vida artificial. "Venter não é Deus. Está a um longo caminho de criar vida", disse à AFP.

"É um tipo de engenharia genética que permitiria às pessoas realizarem mudanças genéticas muito maiores, o que significa que no futuro possam ser criados organismos com novas seqüências de genes", considerou.

"À Procura de Shakespeare" é o primeiro espectáculo com estreia na Internet e em directo


José Lobato criou o espectáculo
José Lobato criou o espectáculo
Pela primeira vez em Portugal, um espectáculo de teatro vai estrear simultaneamente na Internet e num palco: é a 1 de Fevereiro, na Casa do Artista, em Lisboa, e chama-se “À Procura de Shakespeare”.

Nesse dia, quem comprar bilhete para ver a estreia na TVNet, uma estação televisiva online, assistirá, às 22h00, via computador, a um formato de estreia teatral sem precedentes.

“Na Casa do Artista e em sua Casa” é o slogan escolhido pela companhia para anunciar o espectáculo, construído a partir de nove peças do dramaturgo inglês que dizia que “O Mundo inteiro é um palco”.


Criado e dirigido pelo actor e encenador José Lobato, o espectáculo, exercício final de um curso de teatro profissional e intensivo, conta a história de uma companhia teatral em busca de um espectáculo com base na obra de William Shakespeare.

O processo desemboca numa peça única, composta por cenas de nove peças de Shakespeare, todas as que ensaiaram: “Hamlet”, “Macbeth”, “Sonho de uma Noite de Verão”, “Como lhe Aprouver”, “Tempestade”, “Romeu e Julieta”, “Rei Lear”, “Júlio César” e “Otelo”.

A montagem do espectáculo fez-se com diálogos entre director e actores de uma companhia de teatro e as conversas, direcção de actores e forma de solucionar cenas que estavam a ensaiar e a experimentar são textos que foram retirados integralmente das peças “Hamlet”, “Como lhe Aprouver” e “Sonho de Uma Noite de Verão”.

Para a construção de raiz de um espectáculo shakespeariano - objectivo do curso de 2007 - a turma de 10 alunos, além de estudar intensivamente a obra do autor, teve de aprender a lidar com tudo o que o teatro envolve, criando cenários, figurinos, adereços e trabalhando também na produção.

No blog do espectáculo é possível não só obter informações sobre reserva e compra de bilhetes para assistir ao espectáculo online ou em casa, como ver o “trailer” promocional e saber mais sobre o elenco e a equipa que o montou. “À Procura de Shakespeare” estará em cena no Teatro Armando Cortez, da Casa do Artista, até 01 de Março, às sextas e sábados, sempre às 22h00, iniciando depois uma digressão pelo país.

Primeiros bovinos reproduzidos em laboratório nos Açores deverão nascer até final do ano

Os primeiros bovinos reproduzidos nos Açores em laboratório, a partir de células estaminais de um único embrião, deverão nascer até ao final do ano, revelou hoje um investigador do Departamento de Ciências Agrárias da universidade do arquipélago.

Moreira da Silva, que rejeitou a ideia desta reprodução ser um “clone”, mas antes “gémeos”, sublinhou que o propósito principal “é produzir trabalho de investigação”, enquanto o objectivo prático “é produzir animais que se adaptem às melhores condições de maneio e reprodução”.


“Já temos reproduzido embriões em `in vitro´ e `in vivo´ destinados a lavradores que visam melhorar o seu efectivo através da eficiência e aumento da produção em quantidade e qualidade”, acrescentou o investigador à agência Lusa.

Os trabalhos são desenvolvidos pelo Laboratório de Reprodução do Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA), onde trabalham quinze técnicos, dois dos quais estrangeiros, uma sul-coreana, Sun Jin, e um chinês, Huang Ben, ambos investigadores reconhecidos internacionalmente.

Sun Jin trabalha na determinação dos sinais (proteínas interferons) produzidos pelo embrião o mais precocemente possível no reconhecimento materno da gestão, o que faz com que o animal perceba está em estado de gravidez, impedindo-o de ter um novo ciclo sexual.

O trabalho da investigadora sul-coreana tem por objectivo principal “produzir um kit de diagnóstico de gestação bovina idênticos aos que funcionam para determinar se a mulher está ou não grávida”. Huang Ben, que fez parte do primeiro grupo chinês que clonou um búfalo, trabalha em células estaminais para a produção de tecidos, órgãos e espermatozóides/óvulos (gâmetas).

Quinze investigadores envolvidos

Os estudos estão a ser desenvolvidos no CITA pelo grupo “animal science”, que envolve 15 investigadores entre veterinários, engenheiros zootécnicos e biólogos. Os investigadores, os únicos a efectuarem este tipo de trabalho em universidades nacionais, estão divididos em dois grupos de trabalho: o de estudo do sémen e o do desenvolvimento de embriões.

No primeiro caso, efectuam estudos sobre a alimentação, metabolismo solar e morte celular programada (apoptose) para perceber os factores que aceleram os factores apoptóticos. O segundo grupo, que estuda o desenvolvimento dos embriões voltado para a fisiologia da fêmea, analisa desde a idade da produção dos óvulos, a alimentação, tempos e factores de maturação e condições de desenvolvimento embrionário.

Segundo Moreira da Silva, o objectivo final do trabalho é “efectuar investigação fundamental sem a qual não se pode viabilizar a investigação aplicada”, trabalho que pode levar vários anos a concluir. O investigador da Universidade dos Açores admite que “os embriões possam vir a ter futuro na comercialização”, o que vai depender do sector privado.

Nos projectos, desenvolvidos por este grupo de trabalho, já foram investidos mais de um milhão de euros, assegurados, principalmente, pelo Governo dos Açores (Direcção Regional da Ciência e Tecnologia), fundos europeus e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

A equipa de investigadores recorre a bolsas de investigação individuais concedidas pela DRCT, FLAD e do programa para jovens licenciados Estagiar-L. Nestes programas/projectos já estagiaram investigadores egípcios, espanhóis, angolanos, brasileiros, belgas e açorianos, entre outros.

Mais de 1,2 milhões de hectares de floresta do Alasca vão ser destruídos

Lusa

Mais de 1,2 milhões de hectares de floresta do Parque Florestal do Alasca vão ser destruídos ao abrigo de um plano do governo norte-americano, contestado por ambientalistas, mas apoiado por defensores da indústria madeireira.

A administração Bush aprovou ontem um plano de gestão da floresta na região do Alasca, o maior do género nos Estados Unidos, que abrange quase 6,8 milhões de hectares. Destes, mais de 1,2 milhões serão desflorestados ou substituídos por estradas e outras infra-estruturas.

Os ambientalistas receiam que a proposta vá devastar a floresta, enquanto apoiantes da indústria consideram-na essencial para a recuperação da actividade da extracção da madeira.

O guarda-florestal regional do Alasca, Denny Bschor, que aprovou o plano governamental, precisou que este se propõe defender a diversidade e a "saúde" da floresta, canalizar meios de subsistência para os moradores e assegurar uma fonte de distracção e interesse para os visitantes.

O responsável adiantou que há um compromisso para garantir a estabilidade do sector da indústria da madeira.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Investigadores de Coimbra desvendam função de enzima vital para novo antibiótico contra a tuberculose


Milton Costa
Milton Costa
Nuno Empadinhas
Nuno Empadinhas
Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada por Milton Costa, do Departamento de Bioquímica, e Nuno Empadinhas do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNBC), abriu boas perspectivas de desenvolvimento de um novo antibiótico que permita combater a tuberculose, incluindo as variantes multiresistentes, ao descobrir a função de uma enzima de micobactérias (GPGS).

Esta descoberta resulta de um outro estudo sobre a bactéria Rubrobacter xylanophilus que se desenvolve a altas temperaturas e tolera sal, em que os investigadores descobriram uma enzima (MPGS/GPGS) que tem uma função ligeiramente diferente na micobactéria que provoca a tuberculose. Os investigadores procuram agora produzir moléculas capazes de bloquear a função desta GPGS, visto que, sem esta enzima, o bacilo da tuberculose não se desenvolve e a substância que a bloquear poderá ser um potencial antibiótico.

Uma pesquisa complexa porque, explica Milton Costa, “ ainda são necessários muito estudos. O percurso entre esta fase da investigação e a utilização e comercialização de um novo medicamento é sempre muito moroso, exigindo anos de trabalho e grandes investimentos. A próxima fase da investigação é encontrar moléculas que impeçam o funcionamento da enzima, mas que não sejam tóxicas para o ser humano, ou seja, que o tratamento não provoque efeitos secundários, como sucede com os actuais medicamentos disponíveis no mercado”.

Esta descoberta dos investigadores portugueses assume particular relevância, considerando o facto de há várias décadas não surgirem novos fármacos para o combate à tuberculose, e Portugal é um dos países da União Europeia com taxas de incidência da doença mais elevadas.

Uma patente de invenção foi já submetida ao European Patent Office através do BIOCANT.

Além da equipa de Coimbra, o estudo tem a colaboração da investigadora Sandra Macedo Ribeiro, do IBMC, Universidade do Porto. As equipas do Porto e de Coimbra também já têm a estrutura desta enzima quase concluida, sendo um passo fundamental para se desenvolveram inibidores da sua actividade.

Milton Costa foi recentemente empossado como Presidente da Federation of European Microbiological Societies (FEMS), que reúne 30.000 sócios, dispostos por 46 sociedades nacionais e internacionais de 36 países europeus. Formalmente constituída em 1974, a FEMS tem por missão promover a investigação e o ensino da Microbiologia na Europa.

Descoberto tratamento experimental que anula dor crónica


Um tratamento experimental por terapia genética permitiu que alguns ratos que sofriam de dor crónica não revelassem qualquer sintoma durante três meses, segundo um estudo publicado ontem no anuário da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos.

Foi injectado nos ratos um gene que estimula o envio de endorfinas, um analgésico natural, para as células nervosas ao redor da medula espinal.


Este tratamento funciona como os medicamentos analgésicos, mas sem certos efeitos secundários, porque não atinge o cérebro ou outras partes do sistema nervoso central.

"Os pacientes que sofrem de dores crónicas não obtêm um alívio satisfatório porque os tratamentos existentes são pouco eficazes e provocam efeitos secundários intoleráveis como sonolência, bloqueio mental e alucinações", explicou Andreas Beutler, professor de hematologia e de oncologia na escola de Medicina do Monte Sinai em Nova Iorque.

O tratamento administrado aos ratos de laboratório está ainda numa fase preliminar de testes, mas se ele se revelar inofensivo e eficaz para os humanos, poderá ser bastante útil para pacientes que sofram de cancros em fase avançada.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Cientistas britânicos descobrem origem da leucemia infantil

Um grupo de cientistas britânicos descobriu a mutação genética que origina a leucemia infantil, depois de seguir duas gémeas, uma afectada pela doença e outra sã.

O estudo, publicado na revista Science, é qualificado pela comunidade científica como um grande passo que permitirá o desenvolvimento de tratamentos específicos, menos intensivos e menos agressivos.


A investigação - feita pela universidade de Oxford, o hospital infantil Great Ormond Street, de Londres, e a associação de investigação médica Cancer Research - explica que o desenvolvimento do cancro das células sanguíneas na infância requer que um "reduzido, mas crucial grupo de células" sofra duas mutações.

A primeira produz-se durante o primeiro período de gestação, o que faz com que algumas células da medula óssea se convertam em "pré-leucémicas". Porém, para que a criança desenvolva a doença, é necessário que uma segunda mutação ocorra durante os primeiros meses de vida. Esta segunda modificação genética, provavelmente causada por uma infecção comum, como uma constipação, alteraria o estado das células pré-leucémicas para células malignas.

"Estas são células que causam e mantêm a doença", disse o professor Tariq Enver, responsável da investigação e membro da Unidade de Investigação Hematológica Molecular da Universidade de Oxford, salientando que, agora que são conhecidas estas células, é mais fácil "encontrar o seu calcanhar de Aquiles e combatê-las".

Os investigadores averiguaram que estas células resistem à quimioterapia, pelo que o risco de recaída é elevado. O estudo indica também que um por cento das crianças tem células pré-leucémicas, mas destas só um número muito reduzido sofre a segunda e perigosa mutação. Os cientistas britânicos chegaram a estas conclusões depois de estudar as gémeas Olivia e Isabella, de quatro anos, residentes em Kent, no Sul de Inglaterra. Ambas tinham células pré-leucémicas, mas só uma das meninas desenvolveu a doença.

Segunda mutação genética

Quando estavam no útero materno, as células de uma das pequenas sofreram uma mutação que as converteu em pré-leucémicas e foram transmitidas por sangue à outra. Uma infecção comum de que sofreu Olivia fez com que essas células sofressem a segunda mutação genética, o que levou a que a menina ficasse doente com leucemia.

Isabella ainda tem 10 por cento de possibilidades de sofrer este tipo de cancro - porque pode ainda produzir-se a segunda mutação -, mas o risco irá diminuindo até que desapareça na adolescência, quando as células pré-leucémicas serão erradicadas. A investigação foi recebida com entusiasmo pela comunidade científica no Reino Unido.

"A identificação das células que provocam a leucemia tem sido um dos mistérios mais perseguidos pelos investigadores do cancro e este estudo é um passo que nos aproxima da sua resolução", disse Bruce Morland, pediatra do Hospital Infantil de Birmingham (centro de Inglaterra). Esta descoberta abre, além disso, caminho à investigação de tratamentos menos agressivos, mais curtos e com menos efeitos secundários, já que procurará atacar unicamente as células que originam a doença.

Vaskar Saha, professor de Pediatria e Oncologia da Cancer Research, assinalou que o estudo "aumenta a esperança de poder identificar o risco de recaída nas crianças tratadas com quimioterapia e desenvolver tratamentos eficazes". A leucemia aparece quando a medula óssea começa a produzir glóbulos brancos de maneira descontrolada e, juntamente com o cancro linfático, é a modalidade de tumor que mais afecta as crianças.

NASA colabora em investigação sobre uso de nanotubos no combate ao tumor cerebral

Behnam Badie
Behnam Badie
O Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA anunciou que se uniu à Cidade da Esperança, um centro de investigação e tratamento do cancro, para explorar o uso de nanotubos no diagnóstico e tratamento de tumores cerebrais.

Segundo informou este laboratório, a nanotecnologia poderia revolucionar a medicina desempenhando um papel determinante na terapia selectiva do cancro.


Os investigadores da Cidade da Esperança esperam impulsionar a reacção imunológica do cérebro contra os tumores mediante o fornecimento de agentes anti-cancerígenos através de nanotubos - 50 mil vezes mais delgados do que um cabelo humano mas podendo ter vários centímetros de comprimento.

Estes nanotubos são fabricados para a Cidade da Esperança pelo Nano and Micro Systems Group no laboratório da NASA, que há mais de sete anos investiga potenciais utilizações desta tecnologia.

Segundo Behnam Badie, director de neurocirugia da Cidade da Esperança, se esta descoberta puder aplicar-se aos tumores cerebrais poderá também vir a ser usada no tratamento de derrames, traumas, transtornos neurodegenerativos e outros processos patológicos do cérebro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Associação Nacional dos Industriais de Biocombustíveis nasce

Foi criada, na última sexta-feira, a Associação Nacional dos Industriais de Biocombustíveis (ANIB). A entidade tem como associados seis recicladores de óleos alimentares usados em biodiesel : a Space, a Socipole, a BioOeste, a Supermatéria, a Norgen e a Ecoldiesel, apurou o AmbienteOnline.

As empresas pretendem ter uma palavra activa na divulgação da problemática do resíduo «óleo vegetal usado» no quadro legislativo actual.

Segundo a direcção, os associados, que representam a quase totalidade dos recicladores de óleos vegetais usados em biodiesel em Portugal, pretendem uma clara regulamentação do sector através de legislação específica. A consciencialização ambiental, a nível empresarial e particular, será outra das principais preocupações da ANIB.


Autor / Fonte
Sofia Vasconcelos

FSC Portugal expande em 2008 sistema de certificação florestal

A Associação para a Gestão Florestal Responsável (FSC Portugal) irá proceder à conclusão e acreditação da Norma Nacional FSC (Forest Stewardship Council), bem como ao aumento da área florestal e do número de cadeias de responsabilidade na indústria certificadas pelo sistema FSC. Estes são, pelo menos, os objectivos do plano de actividades da associação para este ano.


A Norma Portuguesa do FSC irá ser apresentada no próximo dia 20 de Fevereiro, por ocasião do segundo fórum da associação, bem como o balanço da actividade da iniciativa nacional do FSC em 2007 e apresentar o programa português para 2008. Serão ainda apresentados alguns casos de compromisso com o sistema por parte da produção e da indústria portuguesa.


Neste momento, em Portugal, estão certificados pelo FSC cerca de 200 mil hectares de área florestal, existem 16 certificados de cadeia de responsabilidade industrial e vários produtos FSC no mercado, como rolhas de cortiça, produtos para a construção civil, papel, entre outros.


Até 2010, a WWF irá colaborar com o FSC Portugal para atingir a meta de meio milhão de hectares de área certificada, trabalhando, ao mesmo tempo. no desenvolvimento do mercado para os produtos florestais com esta certificação.

Novo aeroporto alarga Zona de Protecção do Estuário do Tejo

«Não é uma vantagem para a conservação da natureza fazer-se um aeroporto onde quer que seja», disse aos jornalistas Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente, à margem da apresentação do Relatório de Estado do Ambiente 2006, que decorreu ontem, na Agência Portuguesa do Ambiente.

O responsável respondia assim às dúvidas que rodeiam a localização em Alcochete do novo aeroporto de Lisboa, acrescentando que a Zona de Protecção Especial (ZPE) do estuário do Tejo deverá ser alargada para minimizar os efeitos no ambiente, apesar de, no entanto, o campo de tiro de Alcochete não se situar dentro desta ZPE e estar fora das rotas migratórias das aves.

A avaliação ambiental estratégica, a cargo do Ministério das Obras Públicas, deverá estar concluída dentro de mês e meio e, segundo Humberto Rosa, deverá sempre considerar as outras alternativas e explicar porque foram excluídas.

Paulo Caldas, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, apesar de estar convicto que a localização do novo aeroporto de Lisboa na Ota era a que melhor servia o País, ao nível das acessibilidades, da centralidade e do ordenamento do território, considera que «a decisão política está tomada, e agora temos é de olhar para o futuro».

Com a consolidação da cidade aeroportuária a Sul do Tejo, o edil entende que o Governo deve criar condições para potenciar os recursos da zona Norte do Tejo, e activar mecanismos de investimento público para melhorar as condições de acessibilidade, e estimular os vectores turísticos e o tecido empresarial.

O autarca considera que deverá ser promovido o desenvolvimento do País como um todo, numa cooperação estratégica entre a administração central, os autarcas e os agentes económicos, numa leitura de potenciação dos recursos da margem Norte do Tejo.

Autor / Fonte
Sofia Vasconcelos

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Novo aeroporto com impactes potenciais «muito negativos» na biodiversidade

O novo aeroporto internacional de Lisboa pode implicar «impactes potenciais muito negativos» na biodiversidade e conservação da natureza tanto na Ota como no Campo de Tiro de Alcochete (CTA), de acordo com o estudo coordenado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que faz a análise comparativa entre as localizações Alcochete e Ota.

O documento, divulgado quinta-feira pelo Governo depois de ter anunciado que voltava atrás na sua decisão e trocava a Ota por Alcochete, assinala que a implantação da infra-estrutura no CTA provocará uma redução no valor ecológico do território mais acentuada do que na Ota, devido aos maiores efeitos negativos previsíveis sobre o Sistema Nacional de Áreas Classificadas e sobre as ocupações do solo favoráveis à biodiversidade. Na vertente da conservação da natureza «considerou-se que os efeitos seriam piores em Alcochete, mas estes não impõem a exclusão da infra-estrutura naquela localização», salienta Pedro Beja, da Erena, empresa responsável pelo trabalho relativo à conservação da natureza.

Em Alcochete também são prováveis maiores efeitos negativos do que na Ota sobre habitats e espécies protegidos, se bem que o inverso aconteça no caso da flora, peixes dulciaquícolas e morcegos, refere Pedro Beja. Por outro lado, no caso do CTA são «particularmente relevantes» os impactes potenciais sobre as aves aquáticas, uma vez que para estas o Estuário do Tejo assume uma importância muito elevada para a conservação da biodiversidade à escala europeia. Em contrapartida, a localização no CTA pode induzir a criação de uma zona tampão para a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, incluindo as áreas ecologicamente mais importantes da sua envolvente, no âmbito das medidas de compensação de impactes, refere o estudo.

Ainda de acordo com o documento, a vulnerabilidade à poluição dos aquíferos é sensivelmente igual nas duas localizações, ambas inseridas na grande unidade hidrogeológica Bacia do Tejo-Sado. Segundo Luís Ribeiro, que coordenou o estudo das condições hidrogeológicas das potenciais localizações do futuro aeroporto, «qualquer uma das localizações tem riscos, mas Alcochete apresenta-se como menos susceptível à contaminação. De qualquer modo, existem mecanismos para remediar eventuais contaminações».

«Quando se diz que a construção das futuras infra-estruturas vem colocar em risco a contaminação de uma das maiores reservas de água subterrânea daquela área, isso não é totalmente verdade. O grande consumo de água subterrânea na margem sul é proveniente do aquífero mais profundo que existe naquela área. Entre este e o aquífero superficial há uma formação geológica que protege naturalmente qualquer contaminação que venha de cima. Não é à toa que, por exemplo, a Quimigal esteve décadas a contaminar os solos, mas esta contaminação não chegou ao aquífero mais profundo», ressalta o docente do Instituto Superior Técnico.

Relativamente ao escoamento das águas superficiais, estas serão afectadas, nas duas localizações, pela construção da plataforma do aeroporto. «Os condicionamentos associados ao reordenamento das linhas de água na zona da Ota, bem como o seu contacto hidráulico directo com o estuário do rio Tejo, conduzem a que nesta zona as necessidades de intervenção sejam de maior complexidade que na zona do CTA», refere o sumário executivo do documento.

A opção de localizar o novo aeroporto na margem sul do Tejo foi levantada com um estudo da Confederação da Indústria Portuguesa, apresentado em Junho de 2007, que obrigou o executivo a repensar a localização na Ota. Os protestos que se fizeram, entretanto, sentir nos mais diversos quadrantes da sociedade levaram a que o Governo pedisse ao LNEC um estudo comparativo entre as duas possibilidades, apresentado na semana passada.

Tânia Nascimento

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Internacional - 2008 - Ano Internacional do Golfinho

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente e a Convenção sobre Espécies Migratórias, juntamente com o ACCOBAMS - “Agreement on the Conservation of Cetaceans of the Black Sea, Mediterranean Sea and contiguous Atlantic Area” e o ASCOBANS - "Agreement on the Conservation of Small Cetaceans of the Baltic and North Seas" (ambos acordos especializados na conservação de golfinhos) lançaram o Ano Internacional do Golfinho - 2007 para contribuir para a conservação dos golfinhos. Dado o sucesso, as comemorações prolongam-se para 2008.

Em Outubro de 2007, foi criada a base para um acordo sobre pequenos cetáceos. O acordo cobre uma área que se estende de Marrocos à África do Sul, incluindo as águas ricas em golfinhos e baleias em redor das ilhas da Macaronésia (entre elas as dos arquipélagos dos Açores e Madeira). Mais informações na página da Convenção em
http://www.cms.int/news/PRESS/nwPR2007/

10_Oct/Watch_Largest-Agreement.htm

O Documentário "Dolphins & Whales 3D: Tribes of the Ocean" (estreia nos EUA em Fevereiro de 2008), marcará o prolongamento do Ano do Golfinho para 2008. Este filme virá depois para a Europa e aborda a necessidade de proteger estes mamíferos marinhos, cada vez mais ameaçados.

A Campanha envolve Governos, ONGA e o sector privado, pretendendo aumentar a consciencialização do público acerca das espécies de golfinhos existentes e a necessidade de serem protegidas e ainda educar e informar os decisores políticos e envolver as comunidades locais na sua defesa.

O Ano do Golfinho faz parte da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, contribuindo também para se alcançarem os objectivos do Milénio em termos de diminuição da perda de biodiversidade.

Entre as várias ameaças à sobrevivência dos golfinhos contam-se a poluição da água (ex. químicos, sacos de plástico), a poluição sonora (perturba o seu sistema de orientação), as redes de pesca (ficam aí presos), a caça ou captura para cativeiro ou realização de espectáculos e a sobrepesca que tem conduzido à diminuição das presas de que os golfinhos se alimentam.


Consulte os "links". Se os mais pequenos conseguirem responder a uma série de perguntas sobre golfinhos e se participarem activamente na sua protecção (p. ex. retirando os resíduos que há na praia e à beira-mar) podem receber o diploma do Golfinho.

Informações gerais http://www.cms.int/
Informações do ano (incluiu Kit para educadores e dados sobre espécies)
http://www.yod2007.org/en/Start_page/index.html

Barreiro reverte valor da recolha de resíduos para bombeiros

São cerca de 700 quilos de tampinhas e 60 quilos de plástico e metal a quantidade recolhida dos cubos gigantes do Parque da Cidade no âmbito da campanha «Reciclar para Ajudar», que terminou no dia 6 de Janeiro.

A iniciativa da Câmara Municipal do Barreiro associou a necessidade de reciclagem a motivos de solidariedade, uma vez que o valor da recolha reverte a favor das duas corporações de bombeiros do concelho do Barreiro, salienta a autarquia em comunicado. O objectivo é aplicar o mealheiro na aquisição de material para as duas corporações.

Envolveram-se nesta campanha população, escolas, escuteiros e outras instituições, ao colocar latas, garrafas de plástico, embalagens e tampinhas, posteriormente recolhidos pela Amarsul para valorização.